Vigésimo Dia
Saímos as 7:30 hs de Santa Rosa, um “cidadão”. Aparentemente sofisticada, com imensos cassinos, muitos jardins, numa zona rural de grandes plantações da Argentina. Os girassóis enfeitam a estrada de ambos os lados. Muito gado também. Uma região plana de grandes retas. Isso rendeu muito no início mas depois, com o cansaço, aumentamos o número de paradas. Além disso a estrada, muito mais freqüentada por caminhões e veículos de carga, começa a se tornar mais complicada conforme vamos nos aproximando de Buenos Aires. Nossa intenção era sair por Zarate e , entrando na Província de Entre Rios, na Argentina, seguir até Colon e atravessar a ponte sobre o Rio Uruguay na fronteira com o país homônimo. Chegaríamos então a Paysandu e seguiríamos para Tacuarembo. Bem, por erros de sinalização adequada e de placas – que informavam mal – erramos o caminho algumas vezes, perdemo-nos do carro de apoio, que foi parado e, multado, por passar em velocidade maior que a estipulada para aquela região . Mais à frente o Billy e o Sívio também foram parados e multados mas, com jeitinho brasileiro, conseguiram , alegando falta de dinheiro ( o que é verdade já que ninguém tem mais pesos argentinos) passar sem pagar. O carro de apoio não tinha dinheiro nem para o pedágio e, perdido de resto da turma, tiveram que arrumar um jeito de passarem numa das praças de cobrança. Felizmente, por sorte, acabamos nos reencontrando todos novamente!
É engraçado até, mas nas “estaciones de servicio” da Argentina normalmente há apenas uma pessoa para fazer quase tudo: coloca “nafta”, cobra em dinheiro ou vai passar o cartão de débito ou crédito, volta, atende outro e sai para pegar óleo para um carro que precise, cobra o café do bar anexo, vai atender o caminhão de combustível que chegou, etc., etc., e deixa todo mundo esperando. E todos na maior paciência! Para atender 7 motos e 1 carro de apoio acabamos perdendo 40-50 minutos em cada parada. Isto atrasa muito o ritmo de viagem e perde-se nos postos de gasolina o que se conseguiu ganhar em pista.
Com o atraso chegou a noite e resolvemos dormir em Paysandu. Estávamos procurando hotel, parando as motos na rua em frente a alguns quando apareceu um senhor, num carro de luxo marca Rover, com placa de Punta Del Leste, e disse ser proprietário de um hotel e, conversa vai, conversa vem, acabamos negociando ali mesmo e fomos ao tal hotel seguindo o carro. Que fantástico! Decoração espetacular num galpão reformado para virar um estabelecimento de luxo! E o proprietário, extremamente simpático, ficou conversando comigo e com o Billy até perto da 1 h da manhã, enquanto comíamos pizza e tomávamos cerveja. Originalmente o Sr. “Nacho” ( algo assim ) é um fazendeiro, criador de gado, mas tem outras atividades e agora está começando com hotéis ( este foi inaugurado há pouco mais de 1 mês ). Chama-se Hotel La Castellana e, apesar de todo o luxo, foi um dos mais baratos da viagem, graças à generosidade do Sr. Nacho. E ainda pagamos em reais, já que ninguém tinha mais pesos argentinos ou uruguaios ( alguns ainda tem chilenos mas na Argentina ninguém aceita).
Ficou combinado de estarmos sobre as motos às 5 h da manhã, para tentarmos fazer este “restinho” de viagem - perto de 1.400 km até Blumenau - no dia de amanhã.
Vamos tentar!











